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Castigo de um pecado confesso
É deveras que na minha inocência de infante,
Atirei na cruz inúmeras pedras.
E num dia na falta destas,
E já na minha adulta pervertidade
Atirei na cruz minha cabeça.
E da quaresma à páscoa,
Ficaste no madeiro dependurada.
Ria como quem não rir da própria desgraça...
Um corvo lhe arrancava a tez em grandes lascas
E pela lança do centurião, escorria a massa cefálica.
Como, da lenda, a mula sem cabeça
Meu corpo noctâmbulo, que foi condenado,
A levar no lombo o peso de uma raça!
Do tato fez-se olhos e dos pés os demais sensórios.
E minha cabeça enquanto julgamento aguardava,
De Calcutá, Gandhi, Gautama e todos que morreram
Em nome da filantropia, ria.
Ria do INRI que fora condenado e morreu,
Para redimir do homem os pecados
E por séculos e séculos jaz o grande mártir
E não há um dia que em pensamentos,
Gestos e palavras
Viva o homem sem pecar.
A ver longínqua no lombo de seu corpo,
Tal raça.
A priori julgou-a de glorias digna, excelsa, inefável...
Mas, ao conhecê-la em essência,
Julgou-a intrigante, descontente, não obstante repugnante.
E por não se arrepender dos escárnios e heresia,
Condenada foi a consumar das entranhas herméticas
Da gênese humana
Todos os instintos vis e bestiais,
Que nasceram da sapiência e com a sapiência jaz.
Infelizmente o acaso levou a vida desse grande poeta, que na vastidão do não existir complete o que deixou aqui de concluir.
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