terça-feira, 9 de março de 2010

procurar o lábio

alheio

alheio

a tudo que não for

lábio

Demetrios Galvão
F+èMEA
tela = Joniel Veras

sábado, 6 de março de 2010

Quando a porta fecha
Sigo a fresta E saio E entro E fico e faço festa
E claro fico noutro lado que me resta
Quando a porta fecha

Kilito Trindade
dois
tela = Joniel Veras
Noite

Por entre tiros
cantos de grilos e gritos de galos
sereno calo e escuto o que falo

Kilito Trindade/Bruna de Notas

quarta-feira, 3 de março de 2010

Instantâneo

Os sinos dobram,
Meu coração badala.
Ancorado em mim a noite
Como um riso estrelado
Faz festa
E todas as horas dizem alegria.

Valadares
chorume
tela = Joniel Veras
Falésia

Dessas muitas faces que me aparecem
encontro sempre o aconchego
de luzes infinitas
piscando no fundo de teus olhos
molhados.

Seria palimpsesto a ser desvendado?
Ou o véu que te inebria
é convite desnecessário
para pulo abissal?

Não há atrevimento que responda
nem domínio
que minha escassa ciência permita explicar.
Somos apenas o mais puro e catastrófico
conceito de falésia.

Laís Romero
No mês de março o nosso blog será ilustrado-iluminado pelo trabalho do músico e artista plástico Joniel Veras. Com vocês, o artista: Povo caro e onírico - me chamo Joniel Veras- 25 anos no mundo-nasci por essas terras mesmo - passeio por outras mas gosto de voltar - comecei a pintar em 2006 - a pintura a óleo me agrada, me faltando competência ou desejo de explorar outro campo - me interessa pintar a criatura em sua tela clausura - passatempo ou ofício a mesma pintura ainda figura como constante descoberta e não consegui plasmar traço ou técnica que me permitam repousar.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Anotações sobre o 2º Encontro Poético da Academia Onírica - 25/02/10

A noite no Canteiro de Obras nunca esteve tão atenciosa e lírica, mesmo num clima de poema porrada e vaginas coloridas ninguém ali foi piedoso. Iniciamos assombrados num documentário mais que espetacular, um soco no estômago, uma flor, Assombração Urbana com Roberto Piva foi um dos pontos de ereção da noite, absurdamente humano e poético acabou por deixar no ar uma dúvida: para que recitar o Piva, ele já se derramou tanto naquela tela? Não subestimemos a Academia Onírica! O recital nos transformou em bruxos. Releituras e reviravoltas, gritos e espasmos, doses e mais doses de Piva pelos lábios, gargantas, salivas, lágrimas, desejos e amor dos poetas da noite. Uma primeira rodada de leituras foi feita pela Academia, trouxemos Roberto Piva para dentro (ah! e como ele gostou!), num clima de proximidade e descontração foi possível revisitar aquela fúria, aquela voz impiedosa e maldita, desespero e humanidade tudojuntonaqueleinstante. A música trouxe consigo o indizível, tambores e cordas, sibilantes flautas, o vento sussurrava junto às vozes, os espíritos dos deuses todos seguravam nossas mãos. Arrepio. Piva trouxe o transe necessário à continuação do Sarau: os poetas se misturavam, todos eles, os poetas urravam e sorriam, poetas nós abertos e escorrendo pelo canteiro de obras, conversando ao microfone, com as bocas escancaradas em gargalhadas e Baco sempre à espreita. A liberdade deu o tom e os ritmos foram levados por aquilo de antes do antes, sem definição à altura, mas que nos rende todo esse movimento, nos garante a vida. Plena.
Laís Romero

Rapaziada da Noite:

Poetas:
Academia Onírica: Demetrios Galvão + Lais Romero + Kilito Trindade + Arianne Pirajá + Thiago E.+ Valadares + Fagão
Convidados: Maçoni + Telmo Galvão + Chiquinho Garra + Guy Dhegaly

Músicos:
Maninho + Edmar + Fagão (percussão) + Maçoni (escaleta e flauta)

Fotografa:
Kátia Barbosa

--> --> exibição do documentário Assombração Urbana com Roberto Piva -- Valesca Canabarro Dios, Brasil, 2004 (docTV)
--> --> exposição de fotografias = Açaí Campelo
--> --> fotografias/slides = Demetrios Galvão
--> --> distribuição do zine Academia Onírica volume 2
Thiago E.

Kilito Trindade

Ariane Pirajá

Demetrios Galvão

Valadares

Laís Romero

Fagão

Maçoni

Arianne Pirajá + Laís Romero

(todas as fotos da noite por Kátia Barbosa)