domingo, 31 de julho de 2011

Somos Todos Artistas

Moro perto de um Mercado Municipal e, todos os dias, depois que cessam as atividades da feira, tenho a mesma visão: além da sujeira natural que fica, ficam bêbados caídos pelas calçadas do Mercado que dormem um sono de pedra, deitados com as pernas retorcidas e a baba escorrendo pela boca, escorrendo pelo rosto junto ao chão.

Já fazem parte da paisagem, como um cachorro de rua, como restos da feira, montes de lixo.

Há quem ainda se admire quando, em vez de um homem, está caída uma mulher que, inevitavelmente, vai ser abusada.

Também há quem se incomode pela violência estética que os bêbados perpetram.

Já os cães, costumam lhes dar atenção por causa do vômito e, às vezes, descobrem, assustados, que estão ao lado de um ser vivo. Tentam nos dizer isso mesmo sabendo que é inútil. Humanos não entendem nada de vômito.

No conto “Um Artista Da Fome”, de Kafka, o personagem é um jejuador profissional a quem o público admira e que passa dessa condição de sucesso ao desprezo das pessoas, isso porque o definhar do artista caminha junto com o definhar de sua arte, a qual torna-se tela ordinária e mesmo desagradável para alguns. Superado o desprezo e a repugnância, vem, enfim, a indiferença, a ponto de o artista ser confundido e soterrado com as palhas que forram sua jaula.

Assim são os bêbados do Mercado. Quando o primeiro homem, por opção, e não por desespero ou desesperança, deitou-se na calçada, imagino que deve ter-se formado uma aglomeração de pessoas admiradas com a cena, sinceramente lamentando ou por mera curiosidade humana que fosse. Mas aquela aglomeração foi diminuindo-se com o tempo e, hoje, os bêbados só encontram quem lhes maldiga o fedor e cães vadios para lhes lamberem as paredes do estômago regurgitadas.


Daniel Ferreira |colaborador| - de livro ainda inédito.

Drummond também é Tarja Preta



Na última quinta-feira, o poeta Carlos Drummond de Andrade se fez presente no Canteiro de Obras, mostrando uma de suas faces ainda não catalogadas, uma face que não está nos inventários dos seus estudiosos. Por intermédios de alguns “poetas menores”, uma nova face foi inventada para Drummond na noite do dia 28 de julho – uma face com texturas imagéticas e sonoras, com direito a um diálogo com Serge Gainsbourg (o taradão francês das mil e uma sonoridades ).

O diálogo poético produzido por Fagão Silva e os demais Oníricos, fez de Drummond um Orixá sem pudor, um poeta sem a burocracia dos óculos intelectuais. Drummond foi prostituído pelos seus próprios poemas em leituras sacanas e cheios de efeitos sonoros – o Canteiro de Obras era uma quase boate ao som dos poemas-eletrônicamente-oníricos. Drummond foi dessacralizado e convertido em figura pós-moderna, mas sem deixar de ser um “poeta maior”.

A ilustre companhia de Drummond foi o pretexto para o lançamento da AO Revista nº1, que pela presença do público, tornou esse evento um sucesso e nós da Academia ficamos felizes por saber que as pessoas presentes, foram pra casa levando a revista nas mãos – nossa armadilha-poética-tarja-preta.

sábado, 30 de julho de 2011

AO Revista lançada! + tarjas pretas, por favor

 fagão silva

 fagão silva

 demetrios galvão

 demetrios galvão

cartaz núcleo do dirceu 

 thiago e

 thiago e

 laís romero

 laís romero

 kilito trindade e fagão silva

 kilito trindade

 valadares + kilito + fagão

 valadares

 fagão e sampler's eletrônicos

 amigos policiais curtindo a poesia

participação do público
fotografias - dalyne barbosa

na 15ª poesia tarja preta, fagão convidou o grande drummond e fizemos uma boa mistura de poemas. drummond estava presente em viva voz sampleada por fagão - joão amava teresa que amava raimundo que foi pro vasto mundo redundo de um corpo onírico. o fotógrafo exposto em slides foi paulo barros - com um mosaico de boas imagens locais. os vídeos exibidos, foram do poeta e videomaker cearense henrique dídimo. a banda neanderthais também fez bases sonoras para os poemas e tocaram seus maravilhosos rock's - obrigados aos amigos da banda e ao camarada cleiber! (colaborador nas treconologias do data show). a AO Revista teve um lançamento maravilhíssimo! valeu a todos que foram e participaram da boa nova. Até nossos amigos policiais compareceram e apreciaram a poesia (garantiram que no próximo evento vão propagar belezas junto conosco ao microfone!) Até daqui a pouco em mais uma onírica notícia. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Zine AO Lote XV




o lote XV do Zine AO já está disponível
para baixar e montar na Tag ZINES AO

É hoje o lançamento da AO Revista !



lançamento da AO Revista



jornal Diário do Povo, quinta, 28 de julho de 2011
leia a versão digital: http://www.diariodopovo-pi.com.br/Jornal/Default.aspx?c=3

terça-feira, 26 de julho de 2011

Banda Neanderthais na 15ª Poesia Tarja Preta

video

Neanderthais - Mundos Loucos

Exposição Fotográfica - Paulo Barros = 15ª Poesia Tarja Preta

na 15ª Poesia Tarja Preta será realizada a exposição do Paulo Barros, um dos fotógrafos mais conhecidos de Teresina. o seu trabalho é uma síntese dos percursos realizados por Teresina e pelo interior do Piauí - produção de texturas do cotidiano e dos silêncios da natureza.

Paulo Barros - Teresina


Paulo Barros - Teresina Igreja do Amparo

 
Paulo Barros - Forno a Lenha

segunda-feira, 25 de julho de 2011

15ª poesia tarja preta


é quinta-feira agora!

visite alguns poemas, pense nessa pena, 
leve o seu bem, ou outro alguém... 
hein?!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tesão dura


A pele maracurujada

Os músculos obedecendo a gravitonusflacidade

Os pés descalcioficando imóveis

Mas, o fluxo sanguin(e)olento ainda chega em suas cavernas

Velho? Ainda falo!

Pega aqui! Pega aqui! Pega aqui!

(Se... emsipensoemsifaloencéfaloconectafaloerecta)

Kilito Trindade



terça-feira, 19 de julho de 2011

RONDA DA NOITE



Rondam os chuis colonizados pela cor cinzenta
A pincel pintam o asfalto(sub)urbano recalcado pelas pegadas do judas
E a forca divina quando e que pisara este lugar invisitável?
Vigilância: o lupanar do tropel das infindáveis noites agrestes
Concorrência: a espingarda nas costa do policia e a navalha nas mãos do mabandido-
                                                     o herói da esquina
Onde a vida calha                       
                                        Mas
A morte não falha

Amosse Mucavele - Colaborador - Maputo - Moçambique
membro do movimento literário Kuphaluxa
http://kuphaluxa.blogspot.com/

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Projeto Mascate (Goiânia - GO) em Teresina


Com uma proposta que interliga poesia e música, o Projeto Mascate (Goiânia - GO) vem a Teresina com uma programação que envolve palestras sobre a tropicália e apresentações musicais e poéticas. Todas as atividades irão acontecer entre os dias 22 e 24 de julho no Teatro João Paulo II, no bairro Dirceu.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

do artista Solda


o grande cartunista multi-artista curitibano Solda (ou Solda Cáustico) agora é também colaborador da Poesia Tarja Preta. E dentro das nossas experiências medicamentosas, ele nos envia seu trabalho-receituário! Solda é bela figura freqüente nos Salões de Humor do Piauí - o camarada Albert Piauí todos os anos o traz - então já já tu topa com ele por aí em Teresina. Quem quiser visitar o espaço do Solda é só clicar http://cartunistasolda.com.br/

e viva a ponte piauí-paraná!

revista dEsEnrEdoS - nova edição!


Nosso colaborador-camarada-poeta Adriano Lobão Aragão 
noticia a todos a nova edição da revista dEsEnrEdoS .

Quem se interessar pela publicação de cultura e literatura
é só acessar o link http://www.desenredos.com.br/

E viva a linguagem em vrum... vimento!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

15ª Poesia Tarja Preta

Fagão Silva convida Carlos Drummond de Andrade


LANÇAMENTO DA REVISTA AO
poesias + sonoridades (banda Neanderthais) +
vídeos + exposição

dia 28 de julho no Canteiro de Obras
a partir das 20h

entrada: R$ 10 (ganha a Revista AO + Zine)

sábado, 9 de julho de 2011

26 Poetas Hoje

para quem curte a poesia da década de 1970, segue o link para o livro 26 Poetas Hoje de Heloisa Buarque de Holanda -- que se encontra na íntegra:
http://www.heloisabuarquedehollanda.com.br/wp-content/uploads/2010/01/26-Poetas.pdf

"A antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloisa Buarque de Hollanda, foi lançada em 1976. Messa coletânea está a chamada "poesia marginal dos anos 70". Esse tipo de poesia começou a se desenvolver no começo daquela década, em pleno auge da ditadura através de textos mimeografados, outros, em off-set, livrinhos com circulação bem reduzida e em conversas nos bares mais freqüentados."


site da Heloisa Buarque de Holanda:
http://www.heloisabuarquedehollanda.com.br/?cat=6

quinta-feira, 7 de julho de 2011

esse cheiro calado de café

inventa um alpendre dentro do peito

e um jardim fora dos olhos.


 

Demetrios Galvão
hoje meu horóscopo ameaçou a minha boca, me disse pra falar o que está engasgado. não! hoje não dá pra pensar em falar, dentro de mim uma ventania se formou, e sim! me engasgou de tanta força, de tanto movimento, que eu quase caí e ainda acho que estou pendendo quase beijando esse chão. não! não posso mais fazer de palavras essa dor no meu peito, essa falta, esse caco que ficou tudo que eu construí tijolo por tijolo, desmoronando, sendo tragado pelo mar, pelo movimento que não controlo. hoje as estrelas estão totalmente erradas. o céu me abandonou a muito. as manhãs não são azuis e as noites não são estreladas. o céu ficou embaixo de novo, lembra? escureceu. não posso falar. não consigo. estou nascendo hoje. o que eu diria, o que me engasga, está morto. morreu com o eu de antes.

Renata Flavia - colaboradora

http://lustredecarne.zip.net/

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Lançamento da Revista Corsário

salve os piratas do alto mar digital


sábado, 09/07, às 18h no Centro Cultural do BNB de Fortaleza - CE

sábado, 2 de julho de 2011

madrugada às cegas

amanhece calmo e frio o dia e sua tez orvalhada
sob o canto atônito dos seres de plumas leves
que reinam no ar e riscam o céu
nus e rindo dos raios de sol

quando a palidez soturna se desfaz
da umedecida madrugada
os pássaros pintam as cores do seu canto
resplandecendo incessantes comunicados

o som faz brotar das sombras a clareza do verde
o braile a notar-se ao toque das formas
verdade e natureza se cruzam na idéia
o plano de fundo cortina e o véu de toda a vida

vasculhar memórias e enfileirar dados
todos tecidos, tapa olho, espelho plano
a enfeitar de faces o meu rosto
e de sonhos o meu breve sono.


Telmo Belizário Galvão - colaborador